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Quarta-feira, Outubro 27, 2004
A história do lápis
O menino olhava a avó escrevendo uma carta. A certa altura, perguntou:
- Você está escrevendo uma história que aconteceu conosco? E por acaso, é uma história sobre mim?
A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:
- Estou escrevendo sobre você, é verdade. Entretanto, mais importante do que as palavras, é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele, quando crescesse.
O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.
- Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!
- Tudo depende do modo como você olha as coisas. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo.
Primeira qualidade: você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma Mão que guia seus passos. Esta Mão nós chamamos de Deus, e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à Sua vontade.
Segunda qualidade: de vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo, e usar o apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final, ele está mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas o farão ser uma pessoa melhor.
Terceira qualidade: o lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos manter no caminho da justiça.
Quarta qualidade: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você.
Finalmente, a quinta qualidade do lápis: ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida, irá deixar traços, e procure ser consciente de cada ação.
Postado por
JULIANA FERREIRA
às 12:26 PM
Levante a mão antes de falar:
Terça-feira, Outubro 26, 2004
Lendas urbanas
Dizem que este texto foi escrito por um candidato no processo seletivo da Volkswagen. Se realmente foi ou não já é uma outra história... de qualquer forma, eu daria um 10. Belo texto!
Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar, já me queimei brincando com vela.
Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
Já passei trote por telefone.
Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo.
Já confundi sentimentos.
Já peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro,
Já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.
Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas.
Já subi em arvore pra roubar fruta.
Já caí da escada.
Já fiz juras eternas.
Já escrevi no muro da escola.
Já chorei sentado no chão do banheiro.
Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.
Já corri pra não deixar alguém chorando.
Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado.
Já me joguei na piscina sem vontade de voltar.
Já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios.
Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro.
Já tremi de nervoso.
Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua.
Já gritei de felicidade.
Já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol.
Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração.
E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: "Qual sua experiência?".
Essa pergunta ecoa no meu cérebro: "experiência...experiência..."
Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência?
Não!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos.
Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta: Experiência? Quem a tem, se a todo momento tudo se renova?
Postado por
JULIANA FERREIRA
às 10:45 AM
Levante a mão antes de falar:
Segunda-feira, Outubro 25, 2004
Eu sei que ando ausente, mas não estou de férias. No máximo considerem isso como uma licença. Só quem está dentro da minha vida pode sentir o turbilhão no qual mergulhei. Mas independente do que aconteça, não consigo me manter afastada por muito tempo. Sei que me mantive distante no Dia dos Professores, o que é quase imperdoável, mas estou de volta. Posto hoje um trecho do artigo publicado pelo Diogo Mainardi na Veja desta semana. Autor, aliás, que eu recomendo a todas as pessoas que tenham um pensamento crítico e construtivo do Brasil bem alicerçado. Inteligente, perspicaz, este pupilo de Paulo Fracis tem o ótimo hábito de fazer todo mundo pensar. Nem que seja só reclamando, ou só fazendo reclamar. Dele, também, recomendo Contra o Brasil. Livro dos mais divertidos que já li em toda a minha vida.
"Chega de escolas. O Brasil já tem escolas demais. O problema do país não é a falta de escolas, mas o que se ensina dentro delas. A qualidade do ensino público é tão ruim que não compensa o investimento. O ensino obrigatório é um embuste como o Bolsa-Família. Só serve para tapear o eleitorado. Os pobres são iludidos pela idéia de que a escola garantirá a seus filhos um futuro menos indigente, o que é uma burla. E os ricos são iludidos pela idéia de que os pobres sairão da escola mais capacitados para o mercado de trabalho, o que é outra burla."
Sem medo de meter medo, Veja 28/10/04
Postado por
JULIANA FERREIRA
às 3:56 PM
Levante a mão antes de falar:
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