A  professora

Nome: Juliana Ferreira  

Idade: 25 anos   

Onde estou: São Paulo, ou seria no mundo da lua?!? 

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Quinta-feira, Julho 29, 2004

Todo mundo sempre tem um caso de sala de aula: engraçado, trágico, único. É claro que piadinhas e lendas urbanas ligadas à sala de aula também se propagam mais rápido do que a velocidade do conhecimento. E, como era de se esperar, sou sempre alvo delas. Aqui reproduzo um e-mail enviado por meu amigo Cláudio. É isso aí, gente, ser professora é ter que "rebolar".



QUEM FALA O QUE QUER, OUVE O QUE NÃO QUER ...
Dizem, aconteceu na PUC do Rio Grande do Sul.

Uma professora universitária estava acabando de dar as últimas orientações para os alunos acerca da prova final que ocorreria no dia seguinte. Finalizou alertando que não haveria desculpas para a falta de nenhum aluno, com exceção de um grave ferimento, doença ou a morte de algum parente próximo.

Um engraçadinho que sentava no fundo da classe, perguntou com aquele velho ar de cinismo:

"Dentre esses motivos justificados, podemos incluir o de extremo cansaço por atividade sexual?"

A classe explodiu em gargalhadas, com a professora aguardando pacientemente que o silêncio fosse restabelecido. Tão logo isso ocorreu, ela olhou para palhaço e respondeu:

"Isto não é um motivo justificado. Como a prova será em forma de múltipla escolha, você pode vir para a classe e escrever com a outra mão... ou, se não puder sentar-se, pode respondê-la em pé."

Postado por JULIANA FERREIRA às 9:33 AM
Levante a mão antes de falar:





Quarta-feira, Julho 28, 2004

Sim, Laís, você pode e deve escrever bastantes livros, uma vez que o bastante é variável, já sobre a regência do verbo suicidar, olha o que aparece no Dicionário prático de regência verbal, do Celso Pedro Luft: SUICIDAR TDp: suicidar-se. Dar morte a si mesmo; matar-se // Arruinar-se por culpa própria; prejudicar-se; perder-se.

Postado por JULIANA FERREIRA às 9:31 AM
Levante a mão antes de falar:




Bem didático:

Postado por JULIANA FERREIRA às 9:27 AM
Levante a mão antes de falar:





Sexta-feira, Julho 23, 2004

Porque hoje é sexta-feira e professor também é gente



A professora mandou os alunos escreverem uma redação que terminasse com: "Mãe... só tem uma." No dia seguinte, ela chama o Guilherme para ler sua composição e o garoto assim começa:

- Eu estava doente, espirrando, tossindo, febril, não conseguia comer nada, não podia brincar, nem vir à escola. Aí, de noite, a mamãe esfregou Vick Vaporub no meu peito, me deu um leitinho quente com um comprimidinho, me cobriu, eu dormi e, no dia seguinte acordei bonzinho e feliz. Mãe... só tem uma.

A classe toda aplaudiu, a professora elogiou e deu dez para Guilherme. Chamou o Dante, que já foi logo lendo a dele:

- Eu tinha prova de Conhecimentos Gerais no dia seguinte, não sabia nada, não conseguia decorar nada, comecei a chorar, achando que ia tirar zero. Aí a mamãe sentou do meu lado, pegou o livro, me explicou tudo direitinho, tomou a minha lição e eu fui dormir sossegado. Quando acordei senti que sabia tudo, vim à escola. Fiz a prova e tirei dez! Mãe... só tem uma.

A classe, emocionada, também aplaudiu Dante. A professora deu dez para ele também. Desta vez chamou o Wandergleidson Júnior:

- Cheguei no barraco, minha mãe que estava em casa com um cara que não conheço, diferente do cara da semana passada, gritou para mim: Wandergleidson Júnior, seu muleque atleticano sem vergonha, vai lá na geladeira e traiz duas cerveja. Aí eu abri a geladeira e gritei pra ela: Mãe... Só tem uma!

Postado por JULIANA FERREIRA às 1:58 PM
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Quinta-feira, Julho 22, 2004

Ju,

Estou lhe escrevendo este e-mail para dizer que preciso conversar com você. É o seguinte, como eu já tinha lhe falado, estava pensando em fazer Letras no vestibular. Tudo o que eu já li e vi a respeito me interessa muito, então eu acho que é realmente o que eu vou fazer.

Andei lendo algumas coisas no site da Federal e fiz um confusão gigante na minha cabeça. Cheguei à conclusão de que não estou entendendo mais nada. Licenciatura, bacharelado... eu li, li e reli e não entendi nada. O que você fez? Bacharelado? Licenciatura?

Depois, quando você puder, não tenho pressa não, me ajuda a entender tudo isso? Eu sei que não deve ser difícil, mas resolvi lhe perguntar mesmo assim, porque você continua sendo a minha GRANDE professora... e eu sei que posso contar com você.

Ah, e todas essas dúvidas surgiram agora porque eu resolvi fazer Vestibular esse ano, só para ver como que é...

Um grande beijo,
Bia




Bom, Bia, como havíamos combinado, vou responder aqui o seu mail, assim podemos resolver também as dúvidas de outras pessoas.

Licenciatura é o grau que confere a você o direito de (ou a legitimidade para) dar aulas. Independente do curso que você fizer, se quiser ser professor e lecionar, precisará de uma licenciatura. São as aulas de didática, psicologia e sociologia do ensino. Em Belo Horizonte, na UFMG, este curso é feito na FAE, Faculdade de Educação, mas faz parte da grade curricular do curso que você escolher. Bacharelado é a condição de quem conclui o curso universitário, em qualquer área. Em Letras, se você optar pelo bacharelado, significa que seu curso será mais voltado para a parte de pesquisa do que para a prática de sala de aula. Ao se formar você será bacharel em Letras. Mas nada impede que você faça o bacharelado e depois peça continuidade de estudos para fazer a licenciatura. Eu fiz licenciatura, e depois "puxei" as matérias do bacharelado. Assim você fica com as duas graduações. Entendeu?

Acho que nem preciso dizer que fiquei muito orgulhosa da sua escolha, não é mesmo?

Postado por JULIANA FERREIRA às 12:19 PM
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Quarta-feira, Julho 21, 2004

Todo mundo já ouviu pelo menos o refrão desta música várias e várias vezes, mas poucas pessoas sabem realmente que música é esta. Lendo a letra, lembro muito de minha vida: nasci em Itabira (por isso sou triste, orgulhoso, de ferro), interior de Minas Gerais, terra de Drummond. Foi lá que o mundo da literatura começou a povoar minha mente. As histórias da inconfidência contadas por Tia Solange, os livros proibidos emprestados por Rosário. De lá mudei-me para Belo Horizonte, onde a aluna se descobriu professora. Dei aula de Português e Literatura por cinco anos e hoje estou aqui, em São Paulo, trabalhando como revisora em uma editora. Esses cinco anos, multiplicados pelo número de alunos que tive, talvez demonstrem o tamanho da minha felicidade hoje por ser quem eu sou. Por ter passado pela vida de todas essas pessoas. E tudo isso só foi possível porque existiu, um dia, uma professorinha que lá em Itabira me ensinou o beabá.



MEUS TEMPOS DE CRIANÇA
Ataulpho Alves - 1958

Eu daria tudo que tivesse
Pra voltar aos tempos de criança
Eu não sei pra quê que a gente cresce
Se não sai da gente essa lembrança.

Aos domingos missa na matriz
Da cidadezinha onde eu nasci
Ai, meu Deus eu era tão feliz
No meu pequenino Miraí.

Que saudades da professorinha
Que me ensinou o beabá

Onde andarás Mariazinha
Meu primeiro amor, onde andará.

Eu igual a toda meninada
Quanta travessura que eu fazia
Jogo de botões sobre a calçada
Eu era feliz e não sabia.

Postado por JULIANA FERREIRA às 2:14 PM
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Terça-feira, Julho 20, 2004

Só para registrar:



Tudo nesta vida é vaidade.

Postado por JULIANA FERREIRA às 6:56 PM
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Tudo bem, eu votei no Lula. Não me arrependo, mas às vezes também me divirto.

Postado por JULIANA FERREIRA às 9:11 AM
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Domingo, Julho 11, 2004

No messenger.

juli poppins diz: menina, escreve direito.
Fernanda diz: ahhhhh mas essa eh a norma culta padraum da internet, fessora. hehehehehe

Postado por JULIANA FERREIRA às 10:18 AM
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Sábado, Julho 10, 2004

Amigos
Vinicius de Moraes


Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo!

Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer ...

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.

Postado por JULIANA FERREIRA às 11:45 AM
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Sábado, Julho 03, 2004

Postado por JULIANA FERREIRA às 1:55 PM
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