A  professora

Nome: Juliana Ferreira  

Idade: 26 anos   

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Segunda-feira, Dezembro 05, 2005

Depois de tudo o que vimos e vivemos no Brasil este ano, nada melhor do que um pouco de risada, só para afastar de vez a urucubaca.



Frases (mesmo sem saber quem disse o que)

"Pensando bem......qualquer dia até os papagaios no Brasil vão falar: corruptaco, corruptaco" (Cláudio Humberto) / "Bons tempos aqueles em que os Três Poderes eram o Exército, a Marinha e a Aeronáutica" (Millôr) / "Um dos primeiros Presidentes do Brasil foi o Prudente de Morais, daí prá frente tivemos um monte de Presidentes imprudentes e imorais." / "O Lula e o PT estão tentando cruzar cabra com periscópio, para ver se acham um bode expiatório." / "Não confunda 'militante do PT' com 'mil e tanto pro PT'." / "Antes era o PC Farias. Agora é o PT Faria. Faria as reformas, faria a distribuição de renda, faria um governo honesto." / "A única diferença entre o político e o ladrão é que o primeiro a gente escolhe e o segundo escolhe a gente." / "Deve haver, escondida nos subterrâneos do Congresso, uma escola de malandragens, golpes, perfídias e corrupção. Não é possível que tantos congressistas já nasçam com tanto conhecimento acumulado." / "O canto lírico de Roberto Jefferson não tem dó. Só tem réu maior."

Postado por JULIANA FERREIRA às 11:21 AM
Levante a mão antes de falar:





Segunda-feira, Setembro 05, 2005

A cultura nasceu na Grécia e morreu nos Estados Unidos.
Glauber Rocha

Postado por JULIANA FERREIRA às 5:57 AM
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Sábado, Junho 18, 2005

A proposta era: Faça um texto utilizando os sentidos conotativo e denotativo das palavras. Assim como Clarice Lispector em Uma esperança, explore a plurissignificação.

Porta selada
Mariel Hissa Neiva Totomizo Santos



Bateram na minha porta. Era ele. Mas eu não queria abri-la, não para ele.
- Por que você não desiste? - Gritei.
- Trouxe flores. - Disse-me num tom de súplica.
- Você vem à minha porta e o que tem a me dizer é que trouxe flores?!?
Mas não adiantava, ele continuava a insistir. Se ele achava que desta vez ia ser como as outras, estava muito enganado. Desta vez não conseguiria abrir a porta. Nem uma das portas. Não conseguiria sequer enconstar em minha porta secreta. Ele já havia perdido a chave e só estava me provando que também esquecera o caminho. Ele se perdera em sua própria futilidade.
- Por favor, abra! - Novamente a súplica.
- Súplicas e mais súplicas! Já estou saturada de você. Não adianta mais gritar, suplicar ou me presentear. Você não me entende?
Eu gostaria de deixá-lo entrar, mas para o meu próprio bem era melhor não abrir a porta.
- Por favor, abra! Vamos conversar. Se não for por nós hoje, que seja pelo que passamos, pela nossa história.
Aí estava um bom argumento: ele não foi qualquer um. Lá no fundo ele sabia onde havia esquecido a chave e onde tinha se perdido.
Resolvi deixá-lo entrar em minha casa, mas não em meu coração. Por mais que ele se lembrasse o caminho ou encontrasse a chave, ele esqueceria tudo novamente, e arranharia a porta mais uma vez. Era melhor mantê-la selada.

Postado por JULIANA FERREIRA às 10:33 AM
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Sexta-feira, Junho 03, 2005

Psequsia

De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as lrteas de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma ttaol bçguana que vcoê pdoe anida ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.


O que eu tenho a dizer sobre isso? Fantástico!

Postado por JULIANA FERREIRA às 12:45 PM
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Domingo, Maio 22, 2005

Olimpíadas do Arnaldo 2005: Aninha, euzinha e Rafinha

Postado por JULIANA FERREIRA às 8:04 AM
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Sábado, Maio 14, 2005

Eu adoro esta historinha, talvez isso explique por que eu adoro comédias românticas.



Uma abelha dessas pequeninas
pousou numa foto de uma flor
e um romance todo feito em cores
foi se revelando, fez-se amor
Carregou a foto para a colméia
e explicou o caso para a rainha
que era sábia e foi dizendo
"Será que você está piradinha?
Esse girassol não vale nada
é bonito, mas não passa de um papel
nunca vai lhe dar perfume, pólen, filhos,
e aqui nós precisamos é de mel!"
Ela embrulhou a foto em suas roupinhas
e saiu em busca de um cantinho
pra viver seu sonho de verdade
sem rainhas pra encher o seu saquinho
Hoje existe um lugar na Terra
onde há girassóis que têm asinhas
e abelhas que voam com pétalas
num mundo novo
cheio de girabelhinhas

Postado por JULIANA FERREIRA às 7:52 AM
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Segunda-feira, Maio 09, 2005

Este texto é da Ana Cristina Andrade. E ela ainda teve a audácia de colocar como título do e-mail: "merece um f".

Meu Deus, amanhã me caso! - pensou, ao mesmo tempo em que corria afoita por todo o quarto. Separou sapatos, brincos de pérolas e também a lingerie nova, presente de sua mãe. Ela hesitou em descer as
escadas, havia tantas pessoas no hall de entrada que sentira medo de encarar tantos olhares curiosos e perguntas indiscretas sobre um possível bebê. A sala repleta de presentes, onde por todos os lados havia flores, mensagens de felicitações e alguns telegramas de ausentes. Porém, não mais que de repente, toca, sublime, a campainha. Envolta por uma louca felicidade, a mulher passa correndo por todos aqueles olhares opacos e larga-se nos braços da figura que surgia ao vão da porta.


Postado por JULIANA FERREIRA às 8:52 PM
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Segunda-feira, Abril 25, 2005

Passei para os meus alunos o texto O rádio, da Raquel de Queiroz. Depois, a proposta era a seguinte: Escreva uma breve narrativa, um mini-conto, cujo tema seja o rário. Dê um título criativo ao seu texto. Reproduzo, aqui, o texto do Carlos Tadeu e da Fabiana Cristina.

Há mei em inteiro



Os olhos daquelas doze crianças brilhavam ao ver nos braços cansados de Severino, marido de Lucilene, que cuida das crianças enquanto o homem trabalha, um rádio. A briga era constante, uma dúzia de gritos curiosos para apertar o botão. "Uma ninharia só, essa modernidade", gabava-se com um sorriso sofrido de traços rústicos, ao mesmo tempo em que escutava a Hora do Brasil, Severino. A janta, que antes era a tristeza pela escassez, agora tornara-se na alegria de sentarem os quatorze em volta da voz de dentro da caixa e escutá-la. Nas crianças batia uma alegria doida em conhecer o "mundão de Deus". Para Lucilene era a fofoca da novela na vendinha. E para Severino, era saber que ele era um brasileiro, simplesmente por escutar a voz do seu país.

Postado por JULIANA FERREIRA às 8:45 AM
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Sexta-feira, Abril 15, 2005

Todo mundo erra, até mesmo quem ensina.

FEBRE AMARELA
Drauzio Varella
Folha de São Paulo, 8/01/05


Senti no corpo o que está nos livros: febre amarela é doença grave.

Fiz uma viagem ao rio Cuieras, afluente do Negro, quatro horas de barco de Manaus, onde coordeno um projeto da Unip de pesquisas botânicas e de bioprospecção através do qual preparamos extratos de plantas para serem testados contra células malignas e bactérias resistentes a antibióticos, na tentativa de identificar atividade farmacológica em nossa flora. Saí de São Paulo numa quinta à noite. Durante a madrugada navegamos Rio Negro acima, para amanhecer no local de trabalho. Nos dois dias seguintes acompanhei a equipe de botânicos e mateiros do projeto no caminho pela mata até as parcelas estudadas. Como existe malária na região - doença para a qual não há vacina e que já acometeu vários membros de nossa equipe -, tomei os cuidados habituais de vestir camisa de manga comprida, boné e de borrifar inseticida nas partes descobertas do corpo. Sábado à noite me despedi da equipe e retornei a São Paulo. Na madrugada de domingo para segunda, acordei com quase 40 graus, calafrios e dor forte nas costas. Achei que havia contraído dengue numa viagem ao Nordeste na semana anterior.

Na quinta-feira fui internado no hospital Sírio-Libanês, toxemiado, febril, enfraquecido e com dores nas costas sensíveis apenas à morfina. Dois dias depois o Instituto Adolfo Lutz confirmava o diagnóstico de febre amarela adquirida na floresta amazônica, conforme demonstravam os genes do vírus.

Febre amarela não tem tratamento específico. Na fase inicial o vírus se multiplica pelo organismo e acomete maciçamente o fígado - é uma dascausas de hepatite fulminante. Como conseqüência da insuficiência hepática, os fatores responsáveis pela coagulação do sangue se alteram e podem surgir sangramentos (inclusive no cérebro).

A partir do fim de semana seguinte à instalação da doença, as provas de função hepática se deterioraram a ponto de eu entrar em pré-coma hepático. Para complicar, os fatores de coagulação indicavam que poderiam ocorrer hemorragias a qualquer momento. Os médicos que me acompanhavam, amigos de longa data pelos quais tenho profundo respeito profissional, mantiveram-me a par dos resultados conforme ficou acertado entre nós, de início. Apesar das palavras cautelosas com as quais se referiam à evolução desfavorável, não era difícil identificar suas expressões aflitas, indisfarçáveis para quem as conhece de perto. Num fim de tarde, eu me sentia tão fraco, nauseado, com tanta dor nas costas, já um pouco alheio à presença de minha mulher e de minhas filhas, que comecei a pensar: na fase da doença em que me encontro a mortalidade chega a 70%; objetivamente, meus exames indicam que corro risco alto de estar entre eles; subjetivamente, nunca me senti tão mal; é possível que eu entre em coma hepático e perca a consciência nas próximas horas. Não fiquei desesperado com essa perspectiva, no entanto. O mal-estar insuportável, a dor e a nuvem cinzenta que me embotava o cérebro vinham associados a uma tranqüilidade fatalista difícil de imaginar para quem está com saúde. A morte impõe resignação quando chega devagar. Pensei na ironia de certos descuidos com a preservação da vida: minha vacina contra a febre amarela estava vencida há mais de 20 anos. Para aplacar a consciência, me lembrei de haver viajado quase cem vezes ao rio Negro sem ter ouvido falar que existisse febre amarela por lá. A doença é de fato rara: no ano de 2004, a Vigilância Epidemiológica registrou apenas cinco casos no Brasil (dos quais sobrevivemos um rapaz do Paraná e eu). Mas essas justificativas não me trouxeram consolo. E daí? Em que isso mudava meu destino? E a ironia maior: a sensação de ridículo. Passei boa parte da vida envolvido em trabalhos educacionais nos jornais, rádio e TV, procurando informar e convencer as pessoas de que é preciso preservar a saúde. Desde os tempos de estudante acredito que, num país com o nível de escolaridade do nosso, o médico tem esse dever. Se não tivesse levado a sério o que recomendo aos outros, bebesse e comesse exageradamente, usasse drogas, fosse defensor do "faça o que mando, não o que faço", ainda vá. Mas ao contrário! Procurei ser coerente, conheço poucas pessoas que se cuidaram como eu: larguei de fumar na década de 1970; faço exames preventivos com regularidade, olho para a comida com a mesma cautela que o faço em relação à bebida: é bom, mas em excesso prejudica; tenho 1,85 metro e peso 70 quilos, quatro a mais do que quando sai da faculdade; e sou daqueles fanáticos que correm maratonas, corridas de 42 quilômetros para as quais há que treinar o ano inteiro.

Naquele momento de introspecção existencial, imaginei que meu coração, ainda capaz de bater por muitos anos, pararia agora por causa de um mosquito que me transmitiu um vírus agressivo, para o qual existe
uma vacina eficaz que deixei de renovar por tantos anos. A morte, então, adquiriu a imagem de uma senhora impiedosa à espreita de nossas fragilidades, alheia aos 99 cuidados que disciplinadamente tomamos nodecorrer da vida para evitá-la, atenta só ao menor descuido em relação ao centésimo.

Hoje, emagrecido e ictérico, mas fora de perigo, ao avaliar o sofrimento pelo qual passei e fiz passar as pessoas que amo, posso assegurar que é humilhante a sensação de que a vida se esvai como conseqüência de um descaso pessoal.

Postado por JULIANA FERREIRA às 9:29 AM
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Terça-feira, Abril 05, 2005

"O terceiro pontificado mais longo de todos os tempos chegou a seu término com uma exposição pública de dor jamais vista na história da Igreja Católica. Houve um sentido nisso. Paralisado e silenciado pela doença de Parkinson, João Paulo II transubstanciou seu calvário particular numa mensagem universal: a de que não existe redenção sem sofrimento. É a mensagem ao mesmo tempo bela e terrível sobre a qual, afinal de contas, se alicerça o cristianismo. Como forma de recuperá-la numa era marcada pelo hedonismo, João Paulo II carregou sua cruz diante dos olhos do mundo. Pode-se não concordar com tudo o que o papa polonês pregou e defendeu. Mas é impossível não admirá-lo pela sua coragem na saúde e na doença. Na vida e na morte."
Mario Sabino, Revista Veja 06/04/05

Postado por JULIANA FERREIRA às 4:21 PM
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Segunda-feira, Abril 04, 2005

Às vezes é preciso ser honesto.

Postado por JULIANA FERREIRA às 7:17 AM
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Quarta-feira, Março 23, 2005

O homem acaba com muitas coisas, inclusive com ele mesmo. Jogue este poema nas mãos dos alunos e veja no que dá:

Paisagens com cupim
João Cabral de Melo Neto

No canavial tudo se gasta
pelo miolo, não pela casca.
Nada ali se gasta de fora,
qual coisa que em coisa se choca.

Tudo se gasta mas de dentro:
o cupim entra nos poros, lento,
e por mil túneis, mil canais,
as coisas desfia e desfaz.

Por fora o machado reboco
vai-se afrouxando, mais poroso,
enqaunto desfaz-se, intestina,
o que era parede, em farinha.

E se não se gasta com choques,
mas de dentro, tampouco explode.
Tudo ali sofre a morte mansa
do que não quebra, se desmancha.

Postado por JULIANA FERREIRA às 6:33 AM
Levante a mão antes de falar:





Domingo, Março 20, 2005

Abri o meu orkut e li este scrap: "Querida Ju, escrevi meu primeiro conto! Queria que você o lesse...pode ser? Ele está no thaisamoreira.blogspot.com. Obs: erros de português podem ser por estar na internet e conversando no Msn...só para você não reparar, tá?! A idéia é saber se você gostou. Bjokinha". Abri a página dela e li este conto:

Ela andava e andava. Olhava por todos os lados a procura de um cigarro. Estava nervosa. As escapatórias eram poucas.

Seu marido chegou. Sentou. Olhou. Pensou. Falou.

"Vou tomar banho"

O filho ligou.Pediu algumas roupas, sabonete e a escova de dente.

Ela manda a empregada juntar tudo e enfiar dentro de uma sacola. Ordena que o motorista a entregue.

O pai sai do banho. Pede um café.

"A noite vai ser longa."

A mae chora. Vai para a cozinha. Abre. Fecha. Olha. Abre. Fecha. Irrita-se. O TIC TAC do relógio repentinamente desacelera.

O telefone toca. O mundo para. Entreolham-se os três. A empregada recompoe-se do susto e atende à chamada. O coraçao para.

"NÃO!"

A mãe corre para o quarto. Chora. O pai permanece parado. Sentado. O telefone é desligado. A empregada diz ao patrao.

"MÁS NOTÍCIAS."

O patrao já sabe.Melhor dormir. Manda a moça se retirar e segue para o quarto. A mulher nao vai resistir.

Abre a porta. Fecha. A mulher, sentada na cama. Olha. Pensa. Exita. Sai. Atrás da porta ele se encosta. Pensa. A lágrima enfim cai.

Abre. Fecha. Senta-se. Fala.

"Ele morreu."

A mulher grita. Se abraçam. Deitam. A roupa suja é tirada. Silêncio. O celular toca. O homem o desliga. A mulher levanta. Nua segue para o banheiro. O homem levanta-se. Senta-se. Pensa. Nu reproduz os passos da mulher. O banheiro é outro.

Chuveiro ligado. O choro é acabafado pelo som da água que cai. O homem abre a porta do box. Entra. Fecha. A mulher se assusta. O patrão a abraça. Beija. Sente. A empregada o repele.

"NÃO!"

O patrão força. Transam. A empregada gosta. O patrao goza. Banho. Transam novamente. Banho. O patrão sai.

Madrugada.

O filho chega.Vai ao quarto do casal, abraça a mãe. Diz.

"Vou sentir falta dele."

Se referia ao irmão que morrera horas antes. Futuramente sentiu falta do pai que nunca mais voltou.

Thaísa Moreira - 18/03/05. Primeiro conto.

E ela ainda teve a audácia de me perguntar o que eu acho...

Postado por JULIANA FERREIRA às 7:49 AM
Levante a mão antes de falar:





Sábado, Fevereiro 12, 2005

Eu tenho um aluno, daqueles que só se tem um (Eu sei, eu sei, eles são tão fascinantes que quando se trata de alunos, acabamos falando isso de todos), que está fazendo intercâmbio na Rússia. Ontem, no meio de uma conversa no messenger, ele me disse: "Ju, escreve uma carta para mim? Sabe o que é, todo mundo me manda e-mail. Todo mundo me liga. Ninguém me escreve. Sinto falta das letras em português no papel. Sinto falta de ler minha língua, minha pátria". Eu vou escrever uma carta para o Fred, e se mais alguém quiser fazer um amigo que mora na Rússia, publico agora um poema de sua autoria e seu endereço para correspondência. E sim, assim como Fernando Pessoa ele tem pseudônimos.



Frederico Campos Viana
Cherkasova Olga
2825 Altaiskaya Street
Gorno Altaisk - Altai Republic
649006 - Russia


Testemunhas da Realidade
Bonifacio Cruz de Pessoa

Olhos fundos, profundos e cansados
Fitam sempre, sempre usados
Testemunhas ávidas da realidade
Expressando sempre a verdade
Buscando na pureza se encontrar
Para que aí sim possam descansar
Fechar os olhos é morrer
Abrir mão do testemunho
Quebrar fechar o rumo

Postado por JULIANA FERREIRA às 8:06 AM
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Quarta-feira, Novembro 10, 2004

Ponto de vista: Claudio de Moura Castro*

A vovó na janela

"Cada sociedade tem a educação que quer. A nossa é péssima, antes de tudo, porque não fazemos a nossa parte."

Em uma pesquisa internacional sobre aprendizado de leitura, os resultados da Coréia pareciam errados, pois eram excessivamente elevados. Despachou-se um emissário para visitar o país e checar a aplicação. Era isso mesmo. Mas, visitando uma escola, ele viu várias mulheres do lado de fora das janelas, espiando para dentro das salas de aula. Eram as avós dos alunos, vigiando os netos, para ver se estavam prestando atenção nas aulas.

A obsessão nacional que leva as avós às janelas é a principal razão para os bons resultados da educação em países com etnias chinesas. A qualidade do ensino é um fator de êxito, mas, antes de tudo, é uma conseqüência da importância fatal atribuída pelos orientais à educação.

Foi feito um estudo sobre níveis de stress de alunos, comparando americanos com japoneses. Verificou-se que os americanos com notas muito altas eram mais tensos, pois não são bem-vistos pelos colegas de escolas públicas. Já os estressados no Japão eram os estudantes com notas baixas, pela condenação dos pais e da sociedade.

Pesquisadores americanos foram observar o funcionamento das casas de imigrantes orientais. Verificou-se que os pais, ao voltar
para casa, passam a comandar as operações escolares. A mesa da sala transforma-se em área de estudo, à qual todos se sentam, sob seu controle estrito. Os que sabem inglês tentam ajudar os filhos. Os outros - e os analfabetos - apenas vigiam. Os pais não se permitem o luxo de outras atividades e abrem mão da TV. No Japão, é comum as mães estudarem as matérias dos
filhos, para que possam ajudá-los em suas tarefas de casa.

Fala-se do milagre educacional coreano. Mas fala-se pouco do esforço das famílias. Lá, como no Japão, os cursinhos preparatórios
começam quase tão cedo quanto a escola. Os alunos mal saem da aula e têm de mergulhar no cursinho. O que gastam as famílias pagando professores particulares e cursinhos é o mesmo que gasta o governo para operar todo o sistema escolar público.

Esses exemplos lançam algumas luzes sobre o sucesso dos países do Leste Asiático em matéria de educação. Mostram que tudo começa com o desvelo da família e com sua crença inabalável de que a educação é o segredo do sucesso. Países como Coréia, Cingapura e Taiwan não gastam muito mais do que nós em educação. A diferença está no empenho da família, que turbina o esforço dos filhos e força o governo a fazer sua parte.

É curioso notar que os nipo-brasileiros são 0,5% da população de São Paulo. Mas ocupam 15% das vagas da USP. Não obstante, seus antepassados vieram para o Brasil praticamente analfabetos.

Muitos pais brasileiros de classe média achincalham nossa educação. Mas seu esforço e sacrifício pessoal tendem a ser ínfimos. Quantos deixam de ver TV para assegurar-se de que seus pimpolhos estão estudando? Quantos conversam freqüentemente com os filhos? As pesquisas mostram que tais gestos têm impacto enorme sobre o desempenho dos filhos. Se a família é a primeira linha de educação e apoio à escola, que lições estamos dando às famílias mais pobres?

O Ministério da Saúde da União Soviética reclamava contra o Ministério da Educação, pois julgava que o excesso de horas de estudo depois da escola e nos fins de semana estava comprometendo a saúde da juventude. Exatamente a mesma queixa foi feita na Suíça.

No Brasil, uma pesquisa recente em escolas particulares de bom nível mostrou que os alunos do último ano do ensino médio isseram dedicar apenas uma hora por dia aos estudos - além das aulas. Outra pesquisa indicou que os jovens assistem diariamente a quatro horas de TV. Esses são os alunos que dizem estar se preparando para vestibulares impossíveis.

Cada sociedade tem a educação que quer. A nossa é péssima, antes de tudo, porque aceitamos passivamente que assim seja, além de não fazer nossa parte em casa. Não podemos culpar as famílias pobres, mas e a indiferença da classe média? Está em boa hora para um exame de consciência. Estado, escola e professores têm sua dose de culpa. Mas não são os únicos merecendo puxões de orelha.



*Claudio de Moura Castro é economista
(claudiodmc@attglobal.net)

VEJA Edição 1879
10 de novembro de 2004

Postado por JULIANA FERREIRA às 7:50 AM
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